segunda-feira, 17 de março de 2014

Atendimento Educacional Especializado

Atendimento Educacional Especializado Para Pessoas com Surdez
                                                           Margarete Viana de Barros

Para atender a complexidade de fatores que envolvem a educação escolar para pessoa com surdez, o atendimento educacional especializado necessita de revisão e de redefinição através da construção de práticas pedagógicas consistentes, com embasamento teórico científico apropriado e eficaz. 
Pensar o atendimento educacional especializado para os alunos com surdez, perpassa inicialmente, pela mudança de concepções excludentes existentes nas práticas pedagógicas desenvolvidas nas escolas brasileiras. O problema que envolve o processo de escolarização das pessoas com surdez, não pode ser reduzido ao uso de uma língua ou de outra. Esse embate é desnecessário e prejudicial às práticas educacionais desenvolvidas com os alunos com surdez, e deve ser substituído pelo debate que favorece a criação de ambientes educacionais estimuladores e consistentes.
Na perspectiva inclusiva de educação escolar a pessoa com surdez não é deficiente e sim, diferente, em decorrência de uma limitação biológica de uma de suas funções perceptivas. Essa é uma concepção humanizada essencial para o processo educativo, pois reconhece “surdo e ouvinte” como seres capazes, dotados de consciência, pensamento e linguagem. Portanto, a pessoa com surdez é reconhecida como um ser biológico, social, cognitivo, cultural, constituído de subjetividade e que apresenta uma forma própria para adquirir e produzir conhecimentos.
As pessoas com surdez necessitam de ambientes educativos desafiantes e estimuladores do pensamento e que exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva; que ofereçam condições para a instauração de mediações simbólicas com o meio físico e social e que provoque a capacidade representativa dos alunos com surdez.
Imbuído da concepção de complementaridade, o fazer pedagógico do atendimento educacional especializado para pessoas com surdez tem como alicerce o diálogo, a interlocução entre o professor de AEE e o da sala de aula comum e a ação do professor de transpor a teoria para a prática, transformando-a. Esse fazer é organizado de forma contextualizada, embasado pelas representações sociais e heranças culturais e científicas da humanidade.
O professor do Atendimento Educacional Especializado deve ser qualificado para exercer autoridade de gestor do processo de ensino com responsabilidade pela construção de um ambiente favorável à aprendizagem desse aluno, pesquisando os melhores métodos e recursos de operacionalização dos atendimentos especializados, alcançando as reais necessidades do educando.
Concebendo a obrigatoriedade do ensino da Língua Brasileira de Sinais e da Língua Portuguesa, a serem ocorridos de forma simultânea no espaço escolar, como direito do aluno, o atendimento educacional especializado para o aluno com surdez legitima a abordagem bilíngüe em sua prática pedagógica. A prática pedagógica construída com essa abordagem é essencial para o desenvolvimento social, afetivo, cognitivo e lingüístico do aluno com surdez. Portanto, o professor deve ser a autoridade técnica, humana e política, capaz de mediar um processo de aprendizagem com foco no diálogo, na problematização, na vivência de experiências e nas trocas realizadas em diferentes contextos. A organização didática é pensada a partir do potencial do aluno, considerando o conhecimento como uma teia de relações, sem a hierarquização dos conteúdos.
Com o intuito de contribuir com a assertividade das práticas educativas para o aluno com surdez, Damázio (2007) apresenta uma organização didática a ser elaborada pelo professor envolvendo três momentos didático-pedagógicos: Atendimento Educacional Especializado em Libras; Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras e Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Língua portuguesa escrita.
                                                                                                                                
Bibliografia:

            Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção, p. 46-57.


            DAMÁZIO, Mirlene F. M., ALVES, Carla B. e FERREIRA, Josimário de P. Atendimento Educacional Especializado: Abordagem Bilíngue para Pessoas com Surdez. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010. P.09-22.