Atendimento
Educacional Especializado Para Pessoas com Surdez
Margarete
Viana de Barros
Para atender a
complexidade de fatores que envolvem a educação escolar para pessoa com surdez,
o atendimento educacional especializado necessita de revisão e de redefinição
através da construção de práticas pedagógicas consistentes, com embasamento
teórico científico apropriado e eficaz.
Pensar o atendimento educacional
especializado para os alunos com surdez, perpassa inicialmente, pela mudança de
concepções excludentes existentes nas práticas pedagógicas desenvolvidas nas escolas
brasileiras. O problema que envolve o processo de escolarização das pessoas com
surdez, não pode ser reduzido ao uso de uma língua ou de outra. Esse embate é
desnecessário e prejudicial às práticas educacionais desenvolvidas com os
alunos com surdez, e deve ser substituído pelo debate que favorece a criação de
ambientes educacionais estimuladores e consistentes.
Na perspectiva
inclusiva de educação escolar a pessoa com surdez não é deficiente e sim,
diferente, em decorrência de uma limitação biológica de uma de suas funções
perceptivas. Essa é uma concepção humanizada essencial para o processo
educativo, pois reconhece “surdo e ouvinte” como seres capazes, dotados de
consciência, pensamento e linguagem. Portanto, a pessoa com surdez é
reconhecida como um ser biológico, social, cognitivo, cultural, constituído de
subjetividade e que apresenta uma forma própria para adquirir e produzir
conhecimentos.
As pessoas com
surdez necessitam de ambientes educativos desafiantes e estimuladores do
pensamento e que exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva; que ofereçam condições
para a instauração de mediações simbólicas com o meio físico e social e que
provoque a capacidade representativa dos alunos com surdez.
Imbuído da
concepção de complementaridade, o fazer pedagógico do atendimento educacional
especializado para pessoas com surdez tem como alicerce o diálogo, a
interlocução entre o professor de AEE e o da sala de aula comum e a ação do
professor de transpor a teoria para a prática, transformando-a. Esse fazer é
organizado de forma contextualizada, embasado pelas representações sociais e
heranças culturais e científicas da humanidade.
O professor do
Atendimento Educacional Especializado deve ser qualificado para exercer
autoridade de gestor do processo de ensino com responsabilidade pela construção
de um ambiente favorável à aprendizagem desse aluno, pesquisando os melhores
métodos e recursos de operacionalização dos atendimentos especializados,
alcançando as reais necessidades do educando.
Concebendo a
obrigatoriedade do ensino da Língua Brasileira de Sinais e da Língua
Portuguesa, a serem ocorridos de forma simultânea no espaço escolar, como
direito do aluno, o atendimento educacional especializado para o aluno com
surdez legitima a abordagem bilíngüe em sua prática pedagógica. A prática
pedagógica construída com essa abordagem é essencial para o desenvolvimento
social, afetivo, cognitivo e lingüístico do aluno com surdez. Portanto, o
professor deve ser a autoridade técnica, humana e política, capaz de mediar um processo
de aprendizagem com foco no diálogo, na problematização, na vivência de
experiências e nas trocas realizadas em diferentes contextos. A organização
didática é pensada a partir do potencial do aluno, considerando o conhecimento
como uma teia de relações, sem a hierarquização dos conteúdos.
Com o intuito
de contribuir com a assertividade das práticas educativas para o aluno com
surdez, Damázio (2007) apresenta uma organização didática a ser elaborada pelo
professor envolvendo três momentos didático-pedagógicos: Atendimento
Educacional Especializado em Libras; Atendimento Educacional Especializado para
o ensino de Libras e Atendimento Educacional Especializado para o ensino de
Língua portuguesa escrita.
Bibliografia:
Coletânea UFC-MEC/2010:
A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05:
Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado
em Construção, p. 46-57.
DAMÁZIO, Mirlene F. M., ALVES, Carla
B. e FERREIRA, Josimário de P. Atendimento
Educacional Especializado: Abordagem Bilíngue para Pessoas com Surdez.
Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010. P.09-22.
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