Refletindo
o papel do AEE na unidade escolar
A leitura do texto de Italo Calvino, O modelo dos modelos,
provocou o pensamento reflexivo sobre a influência prejudicial que afeta os
meios sociais, o preconceito. O preconceito que humilha e desrespeita o “ser” que, de alguma forma foge dos padrões
considerados normais pela sociedade desprovida de sensibilidade à essência da
existência humana. E a escola, enquanto instituição social não se isenta dessa
danosa influência. Em seu interior, ainda encontramos profissionais que se
recusam, outros estão sempre adiando, a busca pela capacitação favorável à
compreensão necessária para a construção do processo escolar inclusivo na sua
essência.
A aplicação da Política Nacional de Educação Especial
na Perspectiva da Educação Inclusiva, sem a desconstrução dessas ideias
preconceituosas dentro da unidade educacional, inviabiliza a efetivação da
inclusão no processo educacional. Faz-se necessário sistematizar um trabalho de
convencimento de seus profissionais.
AEE
é um serviço de Educação Especial que identifica, elabora e organiza recursos
pedagógicos e de acessibilidade, que eliminam as barreiras para a plena
participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas.
(SEESP/MEC/2008).
Enquanto
serviço a favor da Inclusão escolar, o AEE deve ser o canal de interlocução
entre a comunidade escolar (pais, equipe pedagógica, alunos, servidores da unidade escolar) e a Proposta de Educação Inclusiva, com
vistas a provocar a curiosidade e o interesse em compreender a complexidade que
envolve a inclusão educacional. Conhecer as implicações que norteiam esse processo,
os benefícios que surgem da sua efetivação e perceber que o mundo contemporâneo
solicita da escola mudanças pontuais na organização do seu tempo e do seu
espaço, na proposta pedagógica, na concepção de ensino e de aprendizagem para
favorecer o desenvolvimento acadêmico a todos os seus alunos, com ou sem deficiência.
A
equipe pedagógica e o AEE devem trabalhar em estreita parceira, em busca de um
novo debate, amplo e crítico das novas exigências do tempo atual e o que isso
representa para a condução do processo educacional.
Dentre
as mudanças que se fazem necessárias, o papel do professor e o fazer pedagógico necessitam de transformação urgente, para a produção de uma educação de
qualidade.
O
contexto educacional atual precisa que o
professor exerça o papel de mediador do processo de ensino aprendizagem,
fazendo uso de criatividade, priorizando o diálogo e o trabalho cooperativo,
adotando a prática da investigação da própria prática. Para isso, se faz
necessário que o professor busque conhecimento aprofundado e atualizado, de
caráter científico, que dê conta da complexidade do assunto relacionado ao
processo inclusivo no ambiente escolar.
A
escola inclusiva exige que o fazer
pedagógico seja embasado na concepção de ensino que valoriza a essência do
aluno, e não a sua deficiência; que acredita no seu potencial; que busca
conhecer os mecanismos de aprendizagem de cada aluno e partindo desse
reconhecimento propor ações que atendam a individualidade e
necessidades dos educandos; que propicia a sua participação de forma efetiva em
situações de aprendizagem significativas.
Daí a importância do AEE para a construção e consolidação do
processo da educação inclusiva na escola comum. Esse serviço deve através da parceria
sistemática com a equipe pedagógica da escola, adotar a prática da pesquisa/investigação,
com ações e responsabilidades compartilhadas, na busca das possíveis soluções
para os inúmeros desafios que o processo inclusivo oferece. Esse processo é a única opção viável às
exigências do mundo contemporâneo. Não é mais possível que a assumência do
processo inclusivo na sua essência seja protelado por mais tempo. É urgente a necessidade de transformação do espaço escolar em um ambiente cada vez mais acolhedor, sem
discriminações, cooperativo, que promova a interação de todo grupo e que atenda
a diversidade de interesses, potenciais e de experiências individuais.
Referência
·
- Coletânea UFC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 01: A Escola Comum Inclusiva. Capítulos 1 e 2. Pag. 06 a 30.
- Texto: O modelo dos modelos. Italo Calvino
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